Diabetes, conhecimentos e cuidados necessários



A diabetes é uma doença crónica, com um impacto cada vez maior em todo o mundo, que pode permanecer sem manifestação de sintomas por um longo período de tempo. Assim, torna-se difícil diagnosticar a doença e, quando é possível, já existem complicações associadas.

            Esta doença resulta de uma deficiente capacidade de utilização, pelo organismo, da sua principal fonte de energia – a glicose. A glicose resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação, sendo que, em situações normais, é absorvida pelas células do organismo e, ao ser queimada, fornece energia. No entanto, para que a glicose possa ser utilizada como fonte de energia é necessária uma hormona, a insulina. Se esta hormona não for eficaz ou produzida em quantidade suficientes, a glicose não irá ser utilizada como fonte de energia, acumulando-se no sangue – hiperglicemia – e sendo depois expulsa através da urina. A falta ou a insuficiente acção da insulina levam a alterações na utilização não só dos açúcares, mas também das gorduras e das proteínas, que baseiam a nossa alimentação e são a maior fonte de energia do nosso organismo.

Existem vários tipos de diabetes, sendo as mais comuns:

  • Diabetes tipo 1 – destruição das células pancreáticas que produzem a insulina, que leva a uma insulinopenia absoluta, sendo indispensável recorrer a insulinoterapia. Este tipo é, normalmente, diagnosticado nas crianças e adolescentes;
  • Diabetes tipo 2 – caracterizada por uma insulinorresistência das células do organismo, o que leva a uma maior necessidade de produção pancreática de insulina, podendo esta chegar a ser insuficiente;
  • Diabetes gestacional – relacionada com uma deficiência na utilização da glicose, diagnosticada pela primeira vez, durante a fase gestacional.

O tipo de diabetes mais frequente é o tipo 2, estando comprovado um aumento da incidência dos tipos 1 e 2, nas últimas décadas, muito relacionado com o aumento de factores genéticos e ambientais, como a obesidade e o sedentarismo.

Alguns dos factores que aumentam o risco de desenvolvimento de diabetes, são:

  • Excesso de peso (IMC≥25) e Obesidade (IMC≥30);
  • Perímetro abdominal excessivo (H ≥94 cm e M ≥80 cm);
  • Idade superior a 45 anos;
  • Vida sedentária;
  • História familiar de diabetes;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Hipertensão arterial;
  • Dislipidémia;
  • Entre outras.

Como prevenção e maior brevidade no diagnóstico desta doença, a pessoa deve estar atenta a algumas das manifestações mais comuns da mesma:

  • Urinar em grande quantidade e muitas mais vezes, especialmente durante a noite (poliúria);
  • Sede constante e intensa (polidipsia);
  • Fome constante e difícil de saciar (polifagia);
  • Fadiga;
  • Comichão (prurido) no corpo, designadamente nos órgãos genitais;
  • Visão turva.

Particularmente nas crianças e jovens, onde pode ser diagnosticada, maioritariamente, diabetes tipo 1, com aparecimento súbito, alguns dos sintomas de alerta são:

  • Grande necessidade de urinar, podendo voltar a urinar na cama;
  • Sede intensa;
  • Emagrecimento rápido, sem motivo aparente;
  • Grande fadiga, associada a dores musculares intensas;
  • Ingestão de alimentos em grandes quantidades, sem observar aproveitamento dos mesmos pelo organismo;
  • Dores de cabeça, náuseas e vómitos.

Assim, caso a pessoa identifique alguma destas manifestações, deverá recorrer ao serviço de saúde e, caso lhe seja diagnosticada diabetes, seguir o plano terapêutico recomendado, nunca esquecendo a necessidade de manter um controlo regular do seu estado de saúde/doença, junto de profissionais de saúde competentes, esclarecendo todas as suas dúvidas, ansiedades e receios. Só deste modo, poderá garantir uma gestão eficaz da doença e aumentar a sua qualidade de vida.

Para prevenção das complicações, associadas à doença, assim como para manutenção dos valores de glicose no organismo, no caso da diabetes tipo 2 ou da diabetes gestacional, a pessoa deve optar por uma mudança dos seus hábitos de vida diários, nomeadamente no que respeita à alimentação (é necessário saber quais os alimentos a que deve dar preferência e quais os que deve evitar ou até mesmo eliminar), à actividade física e, até mesmo, aos níveis de stress do quotidiano. Em grande parte dos casos, é possível controlar a da doença a partir desses factores, não sendo necessário iniciar, numa primeira instância, terapêutica medicamentosa.